Blog do Pediatra

07/05/2013

Como contribuir para a qualidade de vida de nossas crianças e jovens

 

 

Com o avanço das tecnologias, as novas e múltiplas formas de comunicação sem fronteiras e a ampliação das tarefas e horas a cumprir de nossas demandas, tornam-se cada vez mais comum quadros de stress e ansiedade, não apenas nos indivíduos adultos, mas também nas crianças e adolescentes, sobrecarregadas pelo excesso de tarefas e informações.

Embora a qualidade de vida seja essencial em todas as idades, é nos primeiros ciclos que ela imprime papel de formação nos indivíduos, marcando-os de forma, muitas vezes, definitiva.

Visando auxiliar pais e cuidadores sobre a necessidade de atenção sobre este tópico, listei alguns itens para análise e prática com as crianças:

- Saúde emocional: Cuidar da saúde física é de extrema importância. No entanto, o que mais vemos atualmente são crianças com problemas relacionados à saúde emocional. Dar atenção aos sentimentos e comportamentos do seu filho e promover o diálogo franco, é essencial para identificar os problemas e propor soluções;

- Obrigações: Ouvir a criança antes de estipular tarefas e deveres é importante para que ele possa exprimir seus sentimentos. E não há lugar melhor para a criança desenvolver e praticar o diálogo do que na sua própria casa, com a sua família;

- Ambiente externo: Para uma criança estar bem física e emocionalmente, ela precisa estar inserida em um ambiente que proporcione calma, tranquilidade e momentos de prazer. Analise os seus meios de convivência e suas reações;

- Alimentação: É fato que as comidas industrializadas vieram solucionar a falta de tempo que temos para cozinhar nos dias atuais, mas fazer desta alimentação uma a rotina é assinar termo de ciência para o comprometimento da saúde de nossa família. Uma dica para fazer com que essa tarefa não fique sobrecarregada apenas a uma pessoa que já chega do trabalho cansada, é dividir o preparo da alimentação com os membros da casa. Além da ajuda, será um momento em que estarão juntos, contribuindo para estreitar os laços afetivos e familiares;

- Atividades físicas: São muitos os atrativos tecnológicos, como os tabletes, computadores e videogames que prendem as crianças nas horas vagas, fazendo-as verdadeiras sedentárias. Mas praticar exercícios físicos é essencial para a saúde do baixinho em curto, médio e longo prazo, já que uma vida ativa vai repercutir também na sua fase adulta. A melhor forma de estimular a criança é sendo o seu exemplo. Uma dica: separe um dia no parque para andar de bicicleta ou pratique uma atividade, como a natação, com o pequeno.

- Organize o tempo: A vida agitada e multitarefa faz com que os ponteiros do relógio não perdoem ninguém, nem mesmo as crianças. Para ajudar seu filho a cumprir todas as suas obrigações do dia, ajude-o a organizar seu tempo. Um dica é estipular horários para cada dever.

Lembre-se, a saúde e educação de nossas crianças e adolescentes estão em nossas mãos e estão entre nossos deveres para com eles. Com a atenção e os cuidados necessários, eles serão adultos felizes, saudáveis, gratos aos seus pais e generosos com a sociedade em que vivem.

Por Dr. Sylvio Renan às 10h34

01/04/2013

Vacinação contra a gripe: Quanto antes imunizado, mais protegido

 

 

Já entramos no outono, época em que as temperaturas começam a cair e o os índices de crianças adoentadas começam a subir. O período é marcado pelo tempo seco, pelo aumento dos níveis de poluição atmosférica e por mudanças abruptas na temperatura. Esses fatores, associados aos ambientes que ficam mais fechados, menos arejados, contribuem para a disseminação de doenças como a gripe.

E este cenário tende a intensificar. Agora é o momento ideal imunizar as crianças, e não quando entrar o inverno, como muitos pensam. Ao mesmo tempo, não basta vaciná-las, é preciso imunizar pais, cuidadores, idosos – mais vulneráveis à doença. Enfim, adultos que convivem com nossas crianças.

A campanha do Ministério da Saúde, que este ano acontece de 15 a 26 de abril, contempla a vacinação em escala de faixa etária e grupos de risco. Para quem está fora dos grupos ou deseja antecipar a imunização, já é possível encontrar a vacina na rede privada, ao custo médio de R$ 80,00.

A vacina oferecida pelo SUS e na rede privada é a mesma em termos de constituição, mudando a apenas a apresentação.  Muitas pessoas não vacinam em função de acharem que ela é constituída do vírus, quando na verdade são utilizadas apenas partículas de vírus, suficientes para a imunização.

A vacina não oferece riscos, mas alguns casos devem ser observados, como destaco abaixo:

- Não vacinar pessoas com febre, apenas para evitar que possíveis reações normais da vacina se confundam com outros quadros de doenças já instalados;

- Não vacinar pessoas com alergia a ovo ou compostos com timerosol, conforme bula da medicação.

Lembro que a gripe é uma infecção respiratória altamente contagiosa. Bastante confundida com o resfriado, ela tem entre os seus sintomas febre elevada, mal estar geral, vômito e tosse seca. Atinge mais facilmente e de forma mais intensa as crianças menores de dois anos e os idosos. Desta forma, adultos que lidam com estes grupos de pessoas também devem ser imunizados, visando a proteção de toda a família.

Por Dr. Sylvio Renan às 18h38

01/03/2013

Meu filho não quer ir para a escola, e agora?

 

 

As aulas começaram e muitas crianças já se acostumaram com a volta da rotina escolar. Algumas, que choravam no retorno às salas, hoje já não choram e nem se queixam mais. Outras, que tinham receio e insegurança, começam, aos poucos, a criar gosto pelo ambiente e até sentem falta nos dias que não precisam levantar cedo para estudar. Por outro lado, há aquelas que, por algum motivo, ainda se recusam em frequentar a escola. E, nestes casos, o que os pais podem fazer?

Sempre que um pai ou uma mãe chegam a meu consultório com essa aflição, antes de tudo, tranquilizo-os dizendo que considero absolutamente normal uma criança, independente da idade, sentir-se insegura quanto a uma nova realidade que enfrentará, principalmente sabendo que não contará com a companhia e apoio de seus pais.

O que costumo indicar é que os familiares sempre incentivem e mostrem ao baixinho que frequentar a escola é importante para o seu desenvolvimento, e para toda a vida. Os pais devem orientar seus filhos para o fato de que, para se conquistar uma boa qualidade de vida, seja no lar, na sociedade ou no trabalho, há a necessidade de se absorverem informações, sendo a escola um dos melhores locais para obtê-las. A escola é também um excelente lugar para a criança interagir, se divertir e fazer amizades.

Apesar de achar o ingresso ao ensino favorável para qualquer pessoa, porém, não posso deixar de frisar que, hoje em dia, é muito comum vermos crianças cada vez menores já nas escolinhas. Nesses casos, é imprescindível que os pais considerem e analisem se o início ao ambiente de aprendizagem está relacionado à fase de a criança iniciar uma nova etapa de sua vida ou apenas às suas necessidades, por motivo de trabalho.

Se o pai e a mãe se mantiverem firmes no propósito de iniciar as atividades escolares de seu filho, e não estiverem sentindo culpa por este procedimento, dificilmente a criança, após 1 ou 2 semanas de frequência, manterá tal comportamento de rejeição.

Contudo, para aquele baixinho que, mesmo após um período normal de adaptação, ainda reluta à escola, aconselho a busca de um auxílio profissional, com psicólogos, que farão entrevistas com os pais e algumas sessões com o pequeno, chegando a um diagnóstico da situação e orientando seu tratamento. Cabe dizer que, na maioria das vezes, tal indicação é de auxílio psicológico para os geradores, e não para a própria criança.

Muito dos motivos desse desinteresse em ir para a escola pode estar relacionado com algum problema interno da criança com a instituição, como adaptação, acolhimento e relacionamento com coleguinhas. Em algumas situações, quando bem identificadas, pode até ser o tão famoso caso de bullying, mas pra isto, recorra a especialistas nesta área.

Para aqueles casos em que a criança, mesmo após conversa, ainda se mantém firmes na relutância de frequentar o colégio, aconselho que os pais mudem a instituição de ensino na qual a matricularam. Não há necessidade de ser outro programa de ensino, apenas mudar as pessoas que se relacionam com o baixinho, e, em muitos casos, o problema se resolve. Por outro lado, não é “eliminando” obstáculos que se resolverá o problema. Saber enfrentá-los é importante agora e para o futuro. E para isto o apoio dos pais é fundamental.

Por fim, converso com os pais, esclarecendo que a escola, seja ela qual for, também tem que ser um ambiente convidativo, motivacional, prazeroso e marcante, positivamente. Isto influenciará na aprendizagem, na convivência com todos os demais entes da escola, em sua vida. Se ele encontrar isto desde o princípio, certamente vai querer ir todos os dias para a escola!

Por Dr. Sylvio Renan às 17h13

16/01/2013

Vacinação de pai para filho

 

Muito se fala da importância da vacinação infantil e não à toa. Ela é sim uma poderosa arma para prevenir doenças que atingem nossas crianças. Mas, o que é tão importante quanto este fator e que pouco vejo falar, é que, nós, adultos, também precisamos receber imunização.

Algumas das doenças infantis atingem mais frequentemente as crianças que os adultos, por consequência da imunidade natural que pessoas adultas desenvolvem durante a vida. No entanto, um pai, mãe ou outro adulto que convive com a criança não estiver vacinado pode adquirir uma catapora de seu filho, se por alguma razão sofreu uma diminuição de sua imunidade adquirida. Por outro lado, este adulto que não atualizou sua vacina contra coqueluche, por exemplo, pode, mesmo sem apresentar a doença, albergar o germe em sua garganta, podendo transmitir a doença para a criança.

Sendo assim, adultos que convivem com crianças (não podemos deixar de incluir, além dos pais, os avós, professores e demais pessoas que fazem parte da vida de uma criança), têm um motivo a mais para se vacinarem, pois através da vacinação própria estarão também diminuindo o risco destas doenças virem a atingir os baixinhos.

Algumas doenças infecciosas ocorrem sazonalmente, com maiores índices na primavera e no inverno. No entanto, por serem muitas delas evitáveis através do mecanismo da imunização passiva, todo cidadão deveria ter sua carteira de vacinação atualizada desde o nascimento até o fim de sua vida, eliminando o risco de adquirir doenças evitáveis, colaborando para uma menor disseminação de tais doenças em seu meio social.

Além das vacinas que recebeu durante a infância, uma pessoa adulta deve ser vacinada rotineiramente contra diversas doenças, entre elas a da difteria (doença respiratória infectocontagiosa, causada por uma bactéria que se instala nas amídalas, faringe, laringe e nariz), da coqueluche e do tétano, a cada 10 anos, com o objetivo de manter sua memória imunológica. Complementando as citadas, atualmente, existe uma série de vacinas que os adultos também necessitam para uma maior proteção. Entre elas estão a meningite C, as hepatites A e B, o HPV, doença sexualmente transmissível, que predispõe ao risco de câncer de pênis e de colo de útero, e a vacina contra da influenza (gripe epidêmica).

Outro exemplo é a varicela (catapora), que é altamente contagiosa para crianças, adolescentes e adultos. As vacinas são disponibilizadas nas UBS apenas para casos suspeitos, levando os demais grupos não indicados a recorrer às clínicas particulares.

Existe hoje um calendário oficial de vacinação para prematuros, crianças, adolescentes, homens e mulheres adultos, idosos, além de um calendário de vacinação ocupacional, atualizados periodicamente pela SBIm – Associação Brasileira de Imunizações -, que tomo a liberdade de inserir neste artigo.

Para saber se sua carteirinha e a da sua família estão atualizadas, confira:

Crianças:
http://www.sbim.org.br/wp-content/uploads/2012/07/Crianca_2012.pdf

Adolescentes:
http://www.sbim.org.br/wp-content/uploads/2012/07/Adolescente_2012.pdf

Homens:
http://www.sbim.org.br/wp-content/uploads/2012/07/Homem_2012.pdf

Mulheres:
http://www.sbim.org.br/wp-content/uploads/2012/07/Mulher_2012.pdf

Idosos:
http://www.sbim.org.br/wp-content/uploads/2012/07/Idoso_2012.pdf

Ocupacional:
http://www.sbim.org.br/wp-content/uploads/2012/07/Ocupacional_2012.pdf

Por fim, deixo aqui meu alerta com base no crescente surto de coqueluche que o país vem apresentando nesta época do ano, justamente devido à falta de reforços e campanhas de conscientização e vacinação em adultos.

Lembre-se que o melhor combate às doenças começa pela prevenção. Todo adulto deve procurar seu médico ou uma clínica de imunizações, levando sua carteira de vacinação com as vacinas aplicadas desde a infância, podendo desta forma se proteger contra uma série de doenças, além colaborar na atividade de se evitar que as mesmas sejam vilãs para a saúde de nossas crianças.

Por Dr. Sylvio Renan às 16h44

18/12/2012

Como aproveitar bem as Férias

 

O final do ano chegou e com ele as tão divertidas férias e festas. Esta é a época oportuna para reunir a família e viajar a fim de aproveitar e descansar todo o ano de intenso trabalho e correria.

Mas, apesar de ser tempo de folga e de descanso, não podemos nos esquecer da nossa saúde e da saúde dos nossos baixinhos, não é verdade? Sendo assim, dedico o último post do ano com algumas dicas para você e sua família aproveitarem as férias sem problemas e sustos.

Hidratação: No Brasil, estamos na época de temperaturas elevadas, já próximos ao Verão, e neste período é essencial que todos bebam muito líquido para evitar a desidratação. As crianças e jovens mais ainda, por estarem em constante movimento. No calor, nosso corpo perde mais água, sendo indispensável a sua reposição. Por isso, ofereça água e sucos naturais a seu baixinho de uma e uma hora.

Alimentação: É normal que, nas festas comemorativas, as pessoas comam mais que o normal. Afinal, a opção de pratos gostosos é tão extensa que é difícil resistir. Como tudo na vida, o que vale é o bom senso para não exagerar. Por isso, dê preferência a alimentos menos gordurosos e mais leves.

Roupas e calçados: No calor, opte por roupas de tecidos mais leves e de cores mais claras. Elas vão ajudar com que os baixinhos sintam-se mais confortáveis para pular, correr e brincar. É importante também escolher um sapato aberto, contribuindo para que o pezinho da criança não sue tanto.
Proteção: Fator importantíssimo é a questão da proteção contra os raios solares. Não se esqueça de usar o filtro solar todos os dias e de respeitar os horários permitidos à exposição ao sol (a partir das 10h ou após das 17h).

Segurança: Todo pai e mãe sabe que nas férias as crianças ficam mais agitadas, sendo quase uma missão impossível de segurá-las. Alguns cuidados simples ajudam a prevenir acidentes. Se você vai à praia ou piscina, não se esqueça das boias para seu baixinho e, claro, em todas as atividades e brincadeiras, de sempre ter um adulto supervisionando a criançada.

Saúde em dia: já conferiu a sua carteira de vacinação e a do seu baixinho? É importante que as vacinas estejam em dia, pois elas são a principal arma contra inúmeras doenças.

Seguindo estes cuidados básicos, você e sua família poderão usufruir tudo o que esta deliciosa época do ano tem a oferecer. Por fim, aproveito a oportunidade para agradecer a todos que acompanham o Blog e que contribuíram para o seu crescimento em 2012. Desejo a todos Feliz Natal e Boas Festas! Um grande abraço e até 2013!

Por Dr. Sylvio Renan às 17h22

16/10/2012

Olha o aviãozinho...

Já diria aquela musiquinha que é ensinada nas escolas ‘comer, comer, comer, comer é o melhor para poder crescer’. Mas, e quando este ato essencial para o funcionamento do nosso organismo é realizado de maneira errada, com exageros ou até mesmo carências?

Segundo dados do Ministério da Saúde, uma em cada 10 crianças em idade escolar tem sobrepeso, já repercutindo negativamente na qualidade de vida de nossos brasileirinhos. Sendo assim, visando alertar os pais, profissionais da área de saúde, escolas e todos aqueles que cuidam e se importam com nossas crianças, resolvi escrever sobre a importância que devemos ter com a alimentação de nossos baixinhos.

Relacionado com a carência de certos nutrientes essenciais, muitos pais pedem indicações de como fazer seus filhos comerem determinados alimentos, que são imprescindíveis, mas que a criançada rejeita apenas pelo aspecto, como por exemplo, os legumes e as verduras.

Um conselho que dou para casos como estes é que apresentem os alimentos às crianças desde cedo. É preciso explicar que aquilo é bom para a sua saúde e para o crescimento saudável. Essa atividade é fácil de ser praticada e pode ser realizada levando-as consigo nas idas ao supermercado ou até mesmo com leituras de livros relacionados à alimentação.

Uma pequena horta domiciliar, mesmo em apartamentos, em varandas ou próxima a janelas, também será um grande estímulo, levando a criança a conhecer e respeitar os trâmites dos alimentos, desde o início de sua produção até a mesa da sala de jantar.

Outra dica simples de ser colocada em prática é a de interagir com o pequeno no preparo das comidas, além de fazer com que a hora das refeições seja de uma maneira natural e prazerosa, e não uma obrigação. Algumas crianças fazem birra para comer, pois se sentem pressionadas e obrigadas, e isso contribui para as tão conhecidas pirraças. O segredo é fazer com que a alimentação faça parte da rotina da criança. Uma saída mais divertida é produzir pratos coloridos e alegres com estes alimentos, convidando a criança a explorá-los.

Também existem os exageros: as guloseimas que a criançada adora. Bom, proibir não é a saída. Deve-se escolher um determinado dia para a ingestão destes alimentos, sendo assim uma maneira divertida e que já mostra disciplina à criança. Fazendo isso, os pais estarão ensinando que ela pode comer (quase) de tudo, mas que há certos alimentos que devem ser consumidos com moderação por fazerem mal à sua saúde - como as frituras, lanches de fast-foods, refrigerantes e os doces.

Por fim, não devemos esquecer que a hora da refeição precisa ser respeitada e não pode ter distrações, como a televisão ligada. Reúna a família para que todos usufruam deste momento em que, mais que ingerirem alimentos saudáveis, todos poderão trocar conversas de como foi o dia de cada um, fortalecendo, assim, o laço familiar. Este momento é importante, não só para alimentar o corpo, mas também a alma.

Por Dr. Sylvio Renan às 18h16

08/10/2012

A arte e a graça de ser criança

Dia 12 de outubro (próxima sexta-feira) é comemorado o Dia das Crianças e, claro, eu não poderia esquecer de preparar um texto especial a elas, que tanto prezo e a quem me dedico, diariamente.

Quem não se lembra da sua infância, quando a inocência, a imaginação sem limites e os sonhos prevaleciam? Talvez estas são as principais e mais gostosas características de ser uma criança.

Brincadeiras, amigos, descobertas, doces, cores, fantasias, aprendizados e a lição diária de aprender e se conhecer na mesma proporção que os centímetos da altura vão-se alavancando.

Mais que contextualizar o quanto é bom ser criança, é importante resgatar como sê-la. Infelizmente, em pleno século XXI, o que vemos são nossos pequenos cada vez mais estressados, intelectualizados e atarefados. As crianças de hoje crescem também de maneira não muito saudável, sem usufruir das maravilhas da infância. Devido aos transtornos das grandes e – também! – das pequenas cidades, o medo, a violência, e ainda por inércia de muitos pais (‘Ah! Não tenho tempo agora!’),  o videogame, o computador, o tablete (às vezes já o Smartphone!) substituíram ao longos das últimas décadas a brincadeira de rua, o jogo de quebra-cabeça, os brinquedos lúdicos e manuais. Enfim, a atividade física, ainda que mínima, e lúdica são partes cada vez mais do passado.

Não digo que as nossas crianças não devam usufruir destas tecnologias. Devem, até porque elas são desta geração. Mas o que quero frisar é que ser criança é muito mais que isso. Ser criança é brincar de boneca, pular corda, jogar bola no quintal ou na rua, subir em árvores, colorir e rabiscar as revistinhas infantis, cantar canções educativas e por aí vai... Isso é ser uma criança saudável!

E veja você como são as coisas: diversas pesquisas e estudos apontam há vários anos para o aumento da obesidade infantil. Tanto em virtude da alimentação não adequada quanto pela falta de uma atiividade física mais constante – sim, chutar bola, subir em árvores ou qualquer coisa do gênero é um exercício físico importante. A inércia em frente à Tv ou ao computador, o estar sentado com um tablet na mão, não.

Dançar é outra atividade importante e toda criança, desde a mais tenrra idade gosta e sabe fazer isto. Recentemente, auxiliei como pediatra o projeto Disco Baby, da DJ, jornalista e mãe de um dos meus pacientes Claudia Assef. Colaborei por entender que música faz bem – seja qual for! -, e dentro de critérios bem fundamentados, melhor ainda.

A chamada “balada” (sim, a Disco Baby é uma baladinha) é voltada para as crianças e tem a ideia de garantir um espaço alegre e saudável para que os pequenos possam pular, dançar e se divertir ao som de músicas infantis e atuais, com comidinhas e bebidas nutritivas. Tudo foi pensado neles. Até o volume do som é limitado de acordo com a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS). Mas antes de mais nada, dançar faz bem e queima calorias!

Esta é só uma das alternativas para inserirmos nossas crianças no mundo a que elas pertencem: o de ser criança! Para saber mais da bela iniciativa, acesse o Facebook da Disco Baby e programe-se para acompanhar o seu baixinho nesta festa. Você e eles vão se divertir.

Por fim, deixo aqui a minha mensagem e homenagem a estes seres que enchem nossas vidas de graça e luz. Crianças, aproveitem esta delíciosa fase e sejam única e exclusivamente o que devem ser: crianças!

Por Dr. Sylvio Renan às 15h39

20/09/2012

Dor de barriga e febre: o que elas podem ser?

Que um bebê e uma criança adoecem com mais facilidade isso todo pai e mãe sabem. Mas, o que é inegável, são as dúvidas e, às vezes, o desespero que afligem estes pais em como identificar uma possível doença no seu filho.

Para tentar diminuir estas aflições, reuni algumas dicas sobre os sinais que as crianças dão, como um sinal, um aviso: ‘não estou bem’.

Além do choro, característico de que algo está errado, há outros sinais importantes que indicam que o pequeno pode estar doentinho: a febre e a dor de barriga.

Primeiro é importante esclarecer que a dor de barriga é absolutamente inexpressiva em bebê e principalmente em crianças maiores. Ela pode advir de uma contração muscular (basta lembrar os movimentos bruscos, as cambalhotas e as posturas assumidas pelas crianças), excesso de gases, contrações abdominais por alimentos inadequados, além, é claro, daquelas dores que passam logo após um carinho da mãe (as de origem psicoafetivas).

Porém, há sim aquelas dorzinhas que são sinais de alguma doença. Estas, geralmente, vêm acompanhadas de febre, e não melhoram facilmente com medidas caseiras, além de terem uma tendência a aumentar com o passar do tempo.

Em relação à febre, esta é uma defesa do organismo frente a algum fator agressor, que, ao perceber que está sendo invadido, seja por fungos, bactérias, vírus ou corpos estranhos, aumenta sua produção de leucócitos (ou glóbulos brancos – células do sangue especializadas na defesa contra invasões), dirigindo-se ao local da agressão e iniciando o processo inflamatório visando destruir o invasor. Durante esta etapa, ocorre a liberação de pirógenos responsáveis pelo aumento da temperatura do organismo, o que aumenta o poder de ação dos glóbulos brancos.

Se considerarmos que os vírus e bactérias, quando invadem o organismo, provocam febre antes da instalação da doença a ponto de ser perceptível para diagnóstico médico, a consulta precoce ao profissional não antecipa o início do tratamento. O pediatra (ou outro profissional da medicina) somente prescreverá algum tratamento quando tiver bons indícios ou até a certeza do que está acontecendo com a criança. Dependendo da doença, os sintomas podem aparecer de 1 a 7 dias e, muitas vezes, o diagnóstico é possível somente após exames laboratoriais.

Para amenizar a dor de barriga e, principalmente, a febre, muitos pais recorrem a remedinhos da farmacinha caseira. Mas, afinal, isso é aconselhável? Importante dizer que se o pediatra já prescreveu uma determinada medicação em outras ocasiões, a mesmo pode ser utilizada até que o médico seja contatado e informado quando ocorrer um novo sintoma.

Para cessar a febre, por exemplo, o pediatra habitualmente deixa com os pais a prescrição com a dose correta para cada criança, com indicação de antitérmicos que podem ser utilizados quando apresentar febre.

Existe uma tabela que muito auxilia quanto à necessidade de auxílio do pediatra em casos febris:

Medicamentos podem provocar reações adversas, mesmo que não sejam ministrados em altas dosagens. Como alternativa, outra manobra que diminui a temperatura corporal é dar um banho morno, com temperatura aproximadamente 2ᴼ C abaixo da temperatura do corpo da criança naquele momento.

Contudo, vale frisar que qualquer medicação deve ser prescrita pelo pediatra (ou outro médico, dependendo da necessidade).

Por Dr. Sylvio Renan às 14h52

22/08/2012

Icterícia: o que é este amarelão?

 

Neste post, vou discorrer sobre um assunto pouco conhecido na população leiga, mas que preocupa pais e mães, sobretudo os de primeira viagem: a icterícia.

Popularmente conhecida como amarelão, a icterícia acomete recém-nascidos, sendo mais frequente nos bebês prematuros. Para compreender o desenvolvimento da doença é preciso ter conhecimento de que na metabolização da hemoglobina (proteína presente nos glóbulos vermelhos que transporta o oxigênio do pulmão para os tecidos), sua molécula é quebrada, formando a bilirrubina. Esta, ao passar pelo fígado, sofre uma conjugação com outras moléculas, o que lhe permite ser excretada do organismo através das fezes e urina. Se a produção de hemoglobina é muito alta, ou se o fígado apresenta problemas que o impeçam de conjugar a molécula, a bilirrubina se deposita nos tecidos, sendo que sua cor esverdeada permite que seja vista através da pele.
 
A icterícia acomete mais o recém-nascido porque, durante sua formação, no estágio intrauterino, existe uma hemoglobina especial, conhecida como hemoglobina fetal. Após o nascimento, com o início da respiração por via pulmonar, tais hemácias são destruídas em grande velocidade, iniciando-se a produção de hemoglobina adulta. A grande quantidade de hemoglobina fetal se transforma rapidamente em bilirrubina. Se seu fígado não estiver ainda em sua maturidade total, ele não consegue processar toda a quantidade que lhe chega, sendo ela então depositada nos tecidos. Quanto mais prematuro for o parto, assim como tanto menor for o tamanho do recém-nascido, maior será a probabilidade de ele vir a apresentar icterícia. É também mais alta sua incidência em partos cesáreos.

O tratamento da icterícia neonatal fisiológica - imaturidade do fígado - é feito com base nos resultados da dosagem das bilirrubinas. Em níveis mais baixos, submete-se a criança a uma fototerapia, na qual a criança é banhada por períodos longos com luz fluorescente do espectro azul, que tem capacidade de conjugar a bilirrubina, facilitando sua excreção.

Se os níveis de bilirrubina, entretanto, estiverem acima dos parâmetros aceitáveis, ou com uma velocidade alta de crescimento, há necessidade de se realizar uma transfusão sanguínea denominada exsanguineotransfusão, em que se troca todo o sangue com altos teores de bilirrubina, por sangues de doadores, com a finalidade de se evitar a impregnação da bilirrubina no tecido nervoso cerebral – clinicamente conhecido como kernikterus -, o que pode levar a graves consequências caso este processo seja desencadeado.

A icterícia neonatal pode ser prevenida com um acompanhamento obstétrico mais de perto, com a chegada do final da gestação, no sentido de se conseguir que o parto seja o mais próximo possível das 40 semanas, quando o feto já tem uma boa maturidade. Deve-se também evitar os partos cesáreos, cuja opção deve ser somente em casos de risco materno-infantil.
Não podemos esquecer, porém, que existem outras causas de icterícia nos bebês, entre elas a incompatibilidade sanguínea, em que o sangue do bebê, sendo incompatível com o da mãe, faz com que a mãe desenvolva anticorpos contra ele, gerando uma icterícia patológica. Outra causa é a obstrução dos canais de drenagem da bile, do fígado para o intestino, sendo esta icterícia provocada por bilirrubina conjugada, que não consegue ser eliminada, devido ao quadro obstrutivo, causando o amarelão. Neste caso, o tratamento é cirúrgico, visando à desobstrução do canal.

Há ainda uma série de quadros infecciosos, principalmente virais, que, acometendo a mãe durante o período gestacional pode levar a icterícia em recém-nascidos.

É de extrema importância frisar e alertar aos pais que uma criança já grandinha pode também desenvolver icterícia, indicando um sinal de que esteja com alguma doença do fígado, ou do sangue, sendo importante o acompanhamento do médico pediatra.

Por Dr. Sylvio Renan às 15h54

08/08/2012

O mundo fantástico da leitura: como incentivar a criançada?

 

Que uma criança tem uma imaginação que impressiona todo adulto sabe. São incríveis as coisas que saem da cabeça dos nossos pequenos, como, por exemplo, perguntas que nos pegam de surpresa e indagações mágicas sobre o nosso mundo real.

Porém, apesar da imaginação ser nata e própria da faixa etária, é dever de todo pai, mãe, avós e adultos que estejam por perto estimular o mundo imaginativo, da fantasia e, claro, que proporcionam descobertas e conhecimentos. E nada melhor que um bom livro para fazer este estímulo, não é mesmo?

Em contrapartida, o que era para ser uma coisa natural, acaba sendo uma peça difícil de encaixar no quebra-cabeça na vida de uma família, sobretudo a brasileira, já que muitas crianças, assim como os muitos adultos, infelizmente, ainda não têm o hábito da leitura.

Com toda a facilidade e agilidade de conseguir mil informações sobre um determinado assunto através das páginas da internet, a criançada acaba se esquecendo dos nossos velhos e importantes aliados: os livros.

Além deste motivo, videogames e a televisão disputam acirradamente a atenção da garotada e, muitas vezes, ganham deslealmente do livro. Então, como fazer que os baixinhos tomem gosto pela leitura?

Antes de tudo, repito uma frase clássica e verdadeira: "criança vê, criança faz". O exemplo deve vir de casa: se um adulto lê na frente da criança, involuntariamente, estará dando um bom exemplo: o de desenvolver-se intelectualmente.

Mas se seu filho for pequeno e ainda não souber ler, conte histórias infantis, bem ilustrativas, ou leia um livro para ele. Além de ser uma oportunidade de fortalecer os laços, vai instigá-lo ao mundo da leitura.

Os reflexos da leitura para a vida adulta são evidentes. Recentemente, um estudo identificou esta associação entre o hábito da leitura na infância e adolescência ao bom desempenho profissional na vida adulta.  Pesquisadores da Fundação Nacional de Leitura Infantil (National Children's Reading Foundation) concluíram que, além de estimular a criatividade e desenvolver a imaginação, ler diariamente faz com que as crianças aprendam com mais facilidade, pronunciem melhor as palavras e expressem suas ideias com mais clareza. 

Ajude seu baixinho a mergulhar no mundo mágico e fantástico que os livros podem oferecer. Pode ter certeza que ele terá histórias incríveis a conhecer e compartilhar.

* National Children's Reading Foundation (http://www.readingfoundation.org/reading_research.jsp

Por Dr. Sylvio Renan às 18h22

25/07/2012

Crianças podem frequentar “baladas” desde que devidamente ambientadas

 

Recentemente fui consultado por uma mãe de dois pacientes para um projeto bem interessante de discoteca para crianças, no que tange ao volume de som adequado para os baixinhos em um ambiente como este. Acabei me aprofundando um pouco em alguns estudos, indo um pouco mais além e observando itens como espaço, luz e até mesmo os lanchinhos servidos. 


Inúmeras pesquisas, desenvolvidas em diferentes países e épocas, corroboram que a influência da música no desenvolvimento da criança é incontestável. Nos tempos atuais, tornou-se uma das mais importantes formas de comunicação, onde nunca uma geração viveu tão intensamente a música como agora.


Na relação criança e som, destaco que nenhum tipo de música por si só é prejudicial à saúde das crianças e que toda atividade lúdica é boa para elas, sendo melhor ainda se esta atividade envolver movimentos. Assim, é importante cuidar para que o ambiente, se for fechado, tenha boas condições de ventilação, umidade e temperatura, por exemplo.


Luz e ar condicionado também merecem atenção, pois a incidência dos raios luminosos de forma ativa, seja piscando ou pelos movimentos dos iluminadores, não deve incidir diretamente na criança. No entanto, sua projeção em telões ou paredes não a afetará. Sobre o ar condicionado, uma temperatura em torno de 24ºC mantém o ambiente em condições confortáveis. Como o ar tende a ficar mais seco com o uso do aparelho, ideal seria também dispor de humidificador.

 

Em relação ao som, tanto para a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 1.987) quanto para a Organização Mundial de Saúde (OMS), a recomendação sobre o nível de som médio é de 40 dBA (decibéis) para hospitais, salas de aula, bibliotecas e residências. A OMS já concluiu que as pessoas perdem o conforto auditivo a partir de 50 dBA e começam a ficar estressadas a partir de 55 dBA.


O sistema auditivo pode não apenas ser ferido por um tiro alto ou uma explosão, mas também pela exposição prolongada a altos níveis de ruído. No entanto, seguindo bem as recomendações da ABTN ou da OMS, não há com que se preocupar.


Em tempo, e voltando a questão que me levou a escrever este texto, no próximo dia 11 de agosto, em São Paulo, acontecerá a festa “Disco Baby”, idealizada e organizada pela DJ e jornalista Claudia Assef, a mãe que citei acima, e pela empresária Tathiana Mansini. A ideia é colocar no mesmo espaço pais e filhos para ouvir músicas boas, de modo saudável e em um ambiente familiar.  A partir desta data, o evento passa a ser quinzenal.


Para mais informações, acesse o Facebook da Festa Disco Baby

Por Dr. Sylvio Renan às 19h45

17/07/2012

Infância: Estudo mede impacto de cada hora adicional de TV

 

Comento na entrevista para a Rádio Estadão ESPN, no programa Direto da Redação, com a jornalista Roxane Ré, sobre um recente estudo que aponta os riscos e o impacto do tempo em que as crianças permanecem em frente a TV, especialmente neste período de férias. 


Segundo os relatos dos cientistas canadenses, o máximo de exposição à TV de crianças entre 2 e 4 anos deve ser de duas horas diárias. Mais ainda, identificaram que a cada hora adicional à qual uma criança entre dois e quatro anos é exposta semanalmente à TV pode haver aumento em meio milímetro da sua circunferência abdominal e, consequentemente, reduzir seu tônus muscular. 


O estudo, publicado no periódico científicoBioMed, analisou o comportamento de 1.314 crianças e concluiu que o máximo de exposição à televisão deve ser de duas horas diárias nessa faixa etária. 


Acrescento mais informações na entrevista para a Rádio Estadão ESPN, ao indicar que os danos à saúde das crianças não estão associados apenas ao tempo de permanência em frente a TV, mas sim em diversas outras mídias, como computador, tablet, jogos eletrônicos, por exemplo. 


Você pode saber mais sobre este estudo na matéria da BBC Brasil, publicada no UOL Saúde: Aqui 


Entrevista para a Rádio Estadão ESPN 


 

Por Dr. Sylvio Renan às 18h39

12/06/2012

Quanto meu filho vai crescer?

 

Uma das principais preocupações que afligem os pais e também os adolescentes que atendo em meu consultório está relacionada à altura. Esta apreensão é normal, principalmente entre os meninos que propagam a imagem de que homem tem que ter músculos, ser alto e atleta.

Recentemente recebi uma dúvida de um garoto de 14 anos a respeito de até que altura ele iria crescer. Uma pergunta que me fez pensar sobre o assunto, muitas vezes questionado em consultas e conversas informais, e que me levou a escrever este post para o Blog.

Entre as dúvidas está a relação da taxa de crescimento com a puberdade, um período da adolescência com duração de dois a quatro anos, caracterizado por transformações biológicas, físicas e psíquicas. É nesta fase que acontece o crescimento esquelético linear, a alteração da forma e composição corporal, o desenvolvimento de órgãos, e mudanças no sistema reprodutivo sexual.

Vou tomar como exemplo o questionamento do jovem, como citei. Ele tem 14 anos e apresenta uma altura de 1,84 metro. Neste caso, projeta, através do gráfico de crescimento da NCHS, dos Estados Unidos (sigla em inglês para National Center for Health Statistics), uma altura final de cerca de 1,92 metro.

No entanto, temos que considerar quando foi o início de sua puberdade deste jovem. Quanto mais precoce seu início, menor será sua estatura final. Inversamente, quanto mais tardia, maior será seu crescimento.

Claro que outros fatores estão envolvidos, como a genética de cada um. Dificilmente uma criança de pais e avós com estaturas pequenas, terá uma altura muito superior que a de seus descendentes.

E como descobrir se há um déficit no crescimento do seu filho? Para fazer esta avaliação é necessário saber, antes de tudo e com precisão a altura, o peso e a maturação sexual. Este processo será mais bem alinhado com o acompanhamento do pediatra da criança, que poderá avaliar se há ou não deficiência na curva de crescimento.

Por fim, quero frisar que não há motivos para pânico e alarde se o seu filho é baixinho. O processo de crescimento é relativo de criança para criança, e envolve estudo particular de caso a caso. Lembre-se, qualquer dúvida ou alerta de que algo está errado, converse abertamente com o médico pediatra.

Por Dr. Sylvio Renan às 15h35

07/05/2012

Não deixe o frio entrar!


Os dias já estão ganhando aspectos da nova estação do ano, o outono, e as temperaturas ficando mais distantes da casa dos 20ºC. Os ponteiros dos termômetros vão caindo cada vez mais e, infelizmente, o que sobe são os casos de crianças adoentadas durante este período.


Sendo assim, compartilho a pergunta que recebo em meu consultório com mais frequência durante este período mais frio: quais cuidados os pais devem tomar com os baixinhos durante as temperaturas mais baixas?

 

Para ajudá-los em como proteger seus filhos das doenças mais presentes no outono, reuni algumas dicas preventivas e muito significativas:

 

É importante destacar que o outono é marcado pelo tempo seco, maior nível de poluição atmosférica e por mudanças abruptas na temperatura em um só dia. Esse cenário, somado ao fato de os ambientes ficarem mais fechados e consequentemente menos arejados, contribui para a disseminação de doenças transmitidas em locais fechados, como as viroses, crises alérgicas e as infecções respiratórias (gripes e resfriados).

 

Para se evitar tal propagação, é indicado que os ambientes sejam bem arejados. Não falo que as janelas devam ficar totalmente abertas à passagem do vento gelado, mas é necessária uma brecha para a abertura da passagem e saída do ar, diminuindo a chance do alojamento de vírus e bactérias. Basta que não se feche a janela de vidro inteira, deixando arejar um pouco através da veneziana.

 

Outro fator importante está relacionado à limpeza dos ambientes, que devem ser livres de sujeira e poeiras, que aumentam a probabilidade de crises alérgicas nos baixinhos, principalmente nos tempos em que as temperaturas caem bastante.

 

Quanto aos aquecedores, não vejo problema em utilizá-los, desde que sejam aqueles que não piorem a qualidade do ar. Recomendo o uso de aquecedores a água ou óleo por disporem de radiadores pelo qual através dos quais o ar circula, sendo aquecido e, consequentemente, aquecendo todo o ambiente sem ressecá-lo.

 

Por último, e não menos importante, as crianças devem ingerir bastante líquidos e alimentos saudáveis e, claro, ser bem agasalhadas.

 

Lembre-se que, ao primeiro sinal de febre alta, tosse e ou problemas respiratórios, um médico pediatra deve ser consultado.

Por Dr. Sylvio Renan às 12h42

08/03/2012

Obesidade infantil: um alerta aos pais!



 

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) alertam para o agravante cenário da obesidade no Brasil. E quando se trata de obesidade infantil, os números são cada vez mais preocupantes: aproximadamente 15% das nossas crianças, na faixa etária entre os 5 a 9 anos, estão acima do peso. Estima-se ainda que na próxima década cerca de 60% da população brasileira será mais pesada do que deveria.

 

Um dos principais motivos para este cenário é a alimentação inadequada. Por isto, alerto aos pais e cuidadores de crianças sobre a importância de uma alimentação saudável e da prática de atividades físicas, como principais aliadas da saúde e do bem-estar de qualquer pessoa.


É inevitável, porém, falar de nutrição sem abordar a questão do incentivo pelo exemplo. De nada adianta os pais quererem que seus filhos comam legumes, frutas e vegetais, se não tiverem o hábito de consumo destes alimentos. . Para as crianças sentirem vontade em ingerir alimentos saudáveis é indispensável que elas sintam-se motivadas e,  pais e mães são as principais fontes de incentivo que elas possuem.


Desta forma, antes de qualquer coisa, analise o seu comportamento diante da comida. Se você não é um praticante da alimentação balanceada, de nada irá adiantar. E talvez este seja o momento de também mudar, por seus filhos e por você.


Bom, passado esta orientação, vamos às dicas práticas, que não são nada complicadas.


Leve seu filho junto para as compras no supermercado e mostre os alimentos saudáveis, suas propriedades nutritivas e como elas contribuem para o seu bom crescimento. Essa interação estimula a criança e faz com que ela se sinta com vontade de obter tudo que há de bom desses nutrientes apresentados.


Outra dica é “brincar” com o prato do seu filho, deixando-o colorido. Toda criança adora cor e isso também serve de estímulo, além de fazer da hora da refeição um momento mais descontraído. Isso vale para receitas criativas também, em que os nutrientes são disfarçados em bolos e tortas. Primeiro ele experimenta, gosta e depois você diz do que é feito, comprovando que os alimentos saudáveis também são muito saborosos.


Quanto aos alimentos considerados “proibidos”, como os sanduíches super calóricos das redes de junk food, os doces e os refrigerantes, não é preciso privá-los totalmente. A dica é criar um dia voltado apenas para este tipo de alimento, desde que consumido com moderação, e sem culpa.


Ainda temos a chance de contrariar os prognósticos da obesidade no Brasil. Com uma alimentação mais saudável e a conscientização da necessidade da prática esportiva desde a infância, poderemos colaborar para uma sociedade composta por adultos cada vez mais saudáveis e não obesos.


Por Dr. Sylvio Renan às 10h45

Sobre o autor

Sylvio Renan de Barros

é médico, tendo
iniciado o curso

na Faculdade de Medicina de Botucatu e se formado em 1974 pela Faculdade de Medicina do ABC. Especializou-se em pediatria na Unifesp/EPM, obtendo em seguida o título pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Fez especialização prática pela General Pediatric Service da University of California - Los Angeles (Ucla) e participa de diversos simpósios do setor. Atuou por quase 30 anos em Pronto Socorro Infantil. Atualmente se dedica a seu consultório e à literatura médica para leigos. Seu primeiro livro lançado chama-se "Seu bebê em perguntas e respostas - Do nascimento aos 12 meses".

Sobre o blog

O objetivo deste blog é fornecer informações básicas relacionadas à área da pediatria. São abordados, de forma didática, temas que permeiam o universo da saúde da criança, como primeiros cuidados, doenças mais comuns, vacinação e alimentação.

Livros indicados

"Seu Bebê - Em perguntas e respostas"
Obra que reúne informações imprescindíveis para mães e pais de primeira viagem. Mas não se trata de um compêndio técnico sobre o "bebê-padrão", e sim de um livro que aborda casos específicos atendidos pelo autor ao longo de três décadas de pediatria.


"Nefrologia para Pediatras"
Livro que tem suas origens no Setor de Nefrologia Pediátrica do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP, que se ampliou com a subseqüente formação de equipe de colaboradores nacionais, procedentes dos mais expressivos serviços de Pediatria do país, de notória e relevante contribuição para a Nefrologia Pediátrica.