Blog do Pediatra

07/05/2012

Não deixe o frio entrar!


Os dias já estão ganhando aspectos da nova estação do ano, o outono, e as temperaturas ficando mais distantes da casa dos 20ºC. Os ponteiros dos termômetros vão caindo cada vez mais e, infelizmente, o que sobe são os casos de crianças adoentadas durante este período.


Sendo assim, compartilho a pergunta que recebo em meu consultório com mais frequência durante este período mais frio: quais cuidados os pais devem tomar com os baixinhos durante as temperaturas mais baixas?

 

Para ajudá-los em como proteger seus filhos das doenças mais presentes no outono, reuni algumas dicas preventivas e muito significativas:

 

É importante destacar que o outono é marcado pelo tempo seco, maior nível de poluição atmosférica e por mudanças abruptas na temperatura em um só dia. Esse cenário, somado ao fato de os ambientes ficarem mais fechados e consequentemente menos arejados, contribui para a disseminação de doenças transmitidas em locais fechados, como as viroses, crises alérgicas e as infecções respiratórias (gripes e resfriados).

 

Para se evitar tal propagação, é indicado que os ambientes sejam bem arejados. Não falo que as janelas devam ficar totalmente abertas à passagem do vento gelado, mas é necessária uma brecha para a abertura da passagem e saída do ar, diminuindo a chance do alojamento de vírus e bactérias. Basta que não se feche a janela de vidro inteira, deixando arejar um pouco através da veneziana.

 

Outro fator importante está relacionado à limpeza dos ambientes, que devem ser livres de sujeira e poeiras, que aumentam a probabilidade de crises alérgicas nos baixinhos, principalmente nos tempos em que as temperaturas caem bastante.

 

Quanto aos aquecedores, não vejo problema em utilizá-los, desde que sejam aqueles que não piorem a qualidade do ar. Recomendo o uso de aquecedores a água ou óleo por disporem de radiadores pelo qual através dos quais o ar circula, sendo aquecido e, consequentemente, aquecendo todo o ambiente sem ressecá-lo.

 

Por último, e não menos importante, as crianças devem ingerir bastante líquidos e alimentos saudáveis e, claro, ser bem agasalhadas.

 

Lembre-se que, ao primeiro sinal de febre alta, tosse e ou problemas respiratórios, um médico pediatra deve ser consultado.

Por Dr. Sylvio Renan às 12h42

08/03/2012

Obesidade infantil: um alerta aos pais!



 

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) alertam para o agravante cenário da obesidade no Brasil. E quando se trata de obesidade infantil, os números são cada vez mais preocupantes: aproximadamente 15% das nossas crianças, na faixa etária entre os 5 a 9 anos, estão acima do peso. Estima-se ainda que na próxima década cerca de 60% da população brasileira será mais pesada do que deveria.

 

Um dos principais motivos para este cenário é a alimentação inadequada. Por isto, alerto aos pais e cuidadores de crianças sobre a importância de uma alimentação saudável e da prática de atividades físicas, como principais aliadas da saúde e do bem-estar de qualquer pessoa.


É inevitável, porém, falar de nutrição sem abordar a questão do incentivo pelo exemplo. De nada adianta os pais quererem que seus filhos comam legumes, frutas e vegetais, se não tiverem o hábito de consumo destes alimentos. . Para as crianças sentirem vontade em ingerir alimentos saudáveis é indispensável que elas sintam-se motivadas e,  pais e mães são as principais fontes de incentivo que elas possuem.


Desta forma, antes de qualquer coisa, analise o seu comportamento diante da comida. Se você não é um praticante da alimentação balanceada, de nada irá adiantar. E talvez este seja o momento de também mudar, por seus filhos e por você.


Bom, passado esta orientação, vamos às dicas práticas, que não são nada complicadas.


Leve seu filho junto para as compras no supermercado e mostre os alimentos saudáveis, suas propriedades nutritivas e como elas contribuem para o seu bom crescimento. Essa interação estimula a criança e faz com que ela se sinta com vontade de obter tudo que há de bom desses nutrientes apresentados.


Outra dica é “brincar” com o prato do seu filho, deixando-o colorido. Toda criança adora cor e isso também serve de estímulo, além de fazer da hora da refeição um momento mais descontraído. Isso vale para receitas criativas também, em que os nutrientes são disfarçados em bolos e tortas. Primeiro ele experimenta, gosta e depois você diz do que é feito, comprovando que os alimentos saudáveis também são muito saborosos.


Quanto aos alimentos considerados “proibidos”, como os sanduíches super calóricos das redes de junk food, os doces e os refrigerantes, não é preciso privá-los totalmente. A dica é criar um dia voltado apenas para este tipo de alimento, desde que consumido com moderação, e sem culpa.


Ainda temos a chance de contrariar os prognósticos da obesidade no Brasil. Com uma alimentação mais saudável e a conscientização da necessidade da prática esportiva desde a infância, poderemos colaborar para uma sociedade composta por adultos cada vez mais saudáveis e não obesos.


Por Dr. Sylvio Renan às 10h45

27/02/2012

Entrevista Rádio CBN

 

O post sobre "'Superproteção dos pais pode ser prejudicial ao crescimento natural dos filhos" foi tema também de uma entrevista para a Rádio CBN.

Ouça, comente e dê a sua opinião. Aqui ou na nossa página FACEBOOK

 

Por Dr. Sylvio Renan às 10h59

17/02/2012

Cuidados exagerados: quando o zelo interfere no desenvolvimento da criança

 

 

 

Cuidado, carinho, diálogo e atenção são extremamente importantes para o desenvolvimento e crescimento de toda e qualquer criança. É dever de todo pai e de toda mãe cuidar de seu filho, dando-lhe segurança, proteção e amor.

 

Somos, diariamente, bombardeados com notícias sobre violência, doenças e demais perigos que assolam nosso país e o mundo, e geram inseguranças em todos nós. Estes fatores nos levam a aumentar a preocupação e as aflições, fazendo-nos proteger ainda mais nossas crianças. Obviamente, cuidados são necessários, mas, e quando essa função de protetores e zeladores ultrapassa os limites e acaba atrapalhando no desenvolvimento da criança?

 

Sou defensor do amor e do diálogo entre pais e filhos. Reforço que criança precisa de atenção e cuidados especiais. Porém, nossos pequenos necessitam, também, crescer e descobrir um mundo repleto de desafios e gostosuras. Mas para saber como, onde e o que escolher e se definir, precisarão ter a chance se “aventurar”. E, como disse, sempre com amor, diálogo e sob o olhar dos pais e responsáveis.

 

É preciso que os adultos – incluindo também os responsáveis na escola - permitam a seus filhos liberdade, ensinando responsabilidade. Privá-los e protegê-los exageradamente não será bom para o seu progresso, seja físico ou psicológico. Proteção exagerada pode gerar instabilidades, receios, ansiedades e angústias, dificultando a evolução destas crianças de se tornarem indivíduos independentes.

 

Dê a seu filho a oportunidade de crescer como pessoa, de poder enxergar o mundo com seus próprios olhos, de viver momentos mágicos, encontrar desafios e novas descobertas, superar seus medos e inquietações. Isso faz parte do desenvolvimento de qualquer pessoa. Por fim, lembre-se: Quem ama, cuida. Quem ama, permite! Mas também disciplina e impõe limites!

 


 

Por Dr. Sylvio Renan às 15h17

30/01/2012

Voltas às aulas: uma lição para pais e filhos

 

Mais um ano letivo começa e milhares de crianças têm a possibilidade de rever amigos e professores, assim como tantas outras começam agora a vislumbrar um novo horizonte de descobertas ao ingressar pela primeira vez na escolinha. Todas elas precisarão de muita atenção para os diversos itens que permeiam o universo escolar, especialmente nos aspectos comportamentais.

Para os novatos há a necessidade da preparação, não apenas dos baixinhos, mas algumas vezes dos pais também. É o primeiro momento de “grande” separação e que, frequentemente, gera sensação de insegurança em ambos. Por isso, o primeiro passo para os pais ajudarem os seus filhos a aceitarem bem o ingresso nesta nova e importante etapa de sua vida é terem a certeza da decisão que estão tomando e do lugar e pessoas com quem estão deixando os seus filhos. É pela confiança dos pais que se inicia a confiança dos filhos.

Aos muito pequenos, não há muito que explicar, mas há como mostrar o quanto será bom e divertido a oportunidade de eles estarem com outras crianças e pessoas que cuidarão deles com tanto carinho quanto os pais. Das coisas novas e legais que terão a oportunidade de descobrir e aprender, brincando.

Para os maiores e que regressam para o ambiente escolar, o grande trabalho já foi feito e, em geral, todos adoram o retorno à escola em que poderão dividir todos os acontecimentos que passaram durante as férias. Mas em meio à questão do bullying, tão antigo, mas muito falado ultimamente, é preciso ficar atento a possíveis comportamentos arredios da criança, especialmente se ela não se mostrar feliz em querer retornar à escola.

Tristeza, raiva, choro e sintomas de doença sem causa aparente, especialmente na hora de ir à escola, são alguns dos sinais de que a criança pode estar com algum problema de relacionamento. O trabalho dos pais aqui também se baseia na confiança e na amizade que precisam demonstrar a seus filhos, assegurando-os que podem se abrir e confiar plenamente neles para a solução de qualquer problema.

Em todos os aspectos e fases, a criança deve se sentir compreendida e reconfortada pelos seus pais e ter a consciência de que a escola não é apenas uma obrigação, mas uma dádiva que irá presenteá-la com grandes realizações no futuro.

Por Dr. Sylvio Renan às 15h39

19/12/2011

 

Que neste Natal, data do nascimento do menino Jesus, todos sejam abençoados com paz, amor, sabedoria e saúde.

Que nossos pequenos tenham o zelo, amor e cuidado que merecem e que os laços familiares estejam cada vez mais fortalecidos.

Que a pureza das crianças invada nossos corações, para que possamos enxergar a simplicidade e a real beleza da vida.


Feliz Natal e um 2012 repleto de realizações!


Dr. Sylvio Renan e Dra. Maria Cristina - MBA Pediatria

Por Dr. Sylvio Renan às 18h41

12/12/2011

Entendendo o refluxo em bebês

Um assunto bastante questionado em meu consultório é sobre o refluxo em bebês, e que é bastante comum nos primeiros meses de vida. Apesar de gerar preocupação nos pais, o refluxo gastroesofágico (RGE) tem, na maioria dos casos, uma evolução satisfatória, sem comprometer o crescimento, o desenvolvimento e o estado de saúde da criança.

O refluxo se dá pela passagem de conteúdo gástrico para o esôfago, sendo um processo fisiológico normal em bebês, crianças e adultos saudáveis.

Os bebês em particular ingerem, ao longo do dia, quantidades consideráveis de leite, líquidos e alimentos, e passam 90% do tempo deitados, sendo normal a presença de quadros de refluxo.

Em apenas 2% dos casos é necessária arealização de uma investigação. Dentro destes 2% é possível encontrar crianças portadoras da doença do refluxo gastroesofágico, causada por anormalidade anatômica ou funcional da cárdia (uma válvula que se localiza no limite do esôfago com o estômago).

Nesta doença, o bebê apresenta sinais específicos, como vômitos e regurgitações que prosseguem após os seis meses de vida, falha no ganho de peso e resultados negativos às dietas, além de sintomas respiratórios como a asma.

A asma, na doença do refluxo gastroesofágico, se caracteriza por crises fortes de falta de ar podendo haver presença de restos alimentares ou mesmo do suco gástrico nas vias respiratórias. Quadros de apneia, broncoespasmo (chiado no peito) ou pneumonias de repetição necessitam de uma atenção maior, sendo imprescindível a realização de uma pesquisa investigativa para diagnosticar a doença.

As manifestações clínicas da doença do refluxo também são diferentes em cada faixa etária pediátrica. Veja abaixo:

Bebês – 50 a 70% dos bebês têm refluxo e usualmente ele não é causado por doença. O pico de incidência acontece ao redor dos quatro meses de idade e melhora a partir de seis meses, tendendo a desaparecer em torno de um ano. Somente uma pequena minoria desenvolve irritabilidade, recusa alimentar, vômitos sanguinolentos, falta de ganho de peso e anemia.

Pré-escolares – crianças pré-escolares costumam apresentar regurgitação intermitente, podendo raramente apresentar também chiado no peito.

Escolares e adolescentes – estes pacientes apresentam sinais e sintomas semelhantes aos dos adultos, como queimação retroesternal (região do coração), e/ou regurgitações.

Para evitar o refluxo em um bebê é importante alimentá-lo com alimentos mais densos, em pequenas quantidades e com maior frequência. É importante também deixá-lo em posição mais vertical o maior tempo possível, além de elevar a cabeceira de seu berço.

Como tratamento, já existem leites enriquecidos com espessantes - feitos principalmente de amidos -, medicamentos que ajudam a acelerar o esvaziamento gástrico e diminuir o refluxo, além dos protetores de mucosa. Entretanto, não devemos esquecer que tanto o leite como estes medicamentos devem ser prescritos e ter o acompanhamento de um pediatra ou gastroenterologista pediátrico.

Por Dr. Sylvio Renan às 12h51

18/11/2011

Cuidados com os baixinhos nos dias quentes

 

Ainda nem entramos no verão, mas os termômetros já começam a dar sinais do que vem por aí em termos de calor.

No consultório, já começo a receber perguntas das interferências do clima quente nos baixinhos e cuidados que devem receber neste período, que inclusive, já convida para esticadas às praias. Por isso, resolvi destacar aqui partes de um capitulo do meu livro ‘Seu bebê em perguntas e respostas’, com algumas dicas para as mamães e papais. Confira.

Idade e horários para o banho de sol - os bebês podem ficar expostos ao sol a partir dos dois meses, em horários de pouca insolação, ou seja, antes das 10h ou após das 17h. Nos horários mais próximos ao meio-dia ocorre um aumento das irradiações, tanto ultravioleta quanto infravermelha, que são danosos para a pele em geral, principalmente para a dos pequeninos. Em curto prazo, essas irradiações podem provocar lesões, inclusive cancerosas. Sendo assim, aconselho ainda, em regiões mais quentes e especialmente no alto verão, o uso de protetores solares para diminuir os efeitos nocivos dos raios que incidem nestes horários de pico. Dê preferência a produtos fabricados especialmente para a pele do bebê.

Importante lembrar que a exposição precisa ser progressiva. Comece com um ou dois minutos ao sol, primeiro nas pernas e aumentando gradativamente a área exposta e o tempo de permanência, até chegar ao corpo todo e aos quarenta minutos diários. O uso de chapéu também é indicado.

A primeira visita à praia – Respeitando todos os itens citados acima, a criança também está liberada para a praia a partir dos dois meses de idade. Porém, outros cuidados muito importantes são necessários, como evitar o contato da criança com a areia e a água do mar, se poluídos, devido ao risco de contaminação. 

A primeira aventura na piscina – Não há uma idade mínima para a entrada da criança na piscina, desde que seja realizado com toda a segurança e supervisão do adulto, em piscina inflável e rasa. Já para o ingresso em piscina pública, os cuidados devem ser redobrados, especialmente ao considerarmos locais com maiores riscos de contaminação. Todos os itens citados anteriormente também devem ser considerados.

Brotoejas de calor – Nós, humanos, possuímos glândulas sudoríparas por toda a extensão do corpo. Ao eliminar água (suor) estas glândulas diminuem a temperatura do corpo, refrescando-nos. Nos bebês, no entanto, os dutos destas glândulas ainda não estão totalmente desenvolvidos, fazendo com que o suor fique retido no interior da glândula e provoque pequena reação inflamatória, caracterizada por círculos avermelhados, e que são popularmente chamados de brotoejas. Apesar de não causar nenhum risco, as brotoejas causam incômodo, e para evitá-las é recomendado deixar as crianças com o mínimo de roupas em dias mais quentes e úmidos, assim como dar mais banhos mornos e aplicar loções hidratantes neutras.

Mães, sigam estas regrinhas básicas, e vocês terão férias e fins de semana com menos sofrimento para os baixinhos e menos preocupações para os pais.

Por Dr. Sylvio Renan às 13h30

07/10/2011

Nem todo choro do bebê é sinal de cólica

 

Toda vez que um bebê chora sem parar, mesmo depois de já ter sido alimentado e tido boas horas de sono, a primeira suspeita para o motivo do choro é ele estar se incomodando com as chatinhas e frequentes cólicas.

Quando tem cólica – segundo pesquisas, 15% dos recém-nascidos têm¹ –, o bebê faz vários movimentos, quer com os bracinhos e as perninhas; quer com o tronco, como também com a boca, parecendo querer mamar, mesmo que tenha sido alimentado há pouco e esteja sem fome.

As cólicas costumam acometer os bebês do nascimento até os três meses de idade, sendo mais comum naqueles alimentados com leite artificial do que nos que só ingerem leite materno. Isto ocorre devido à imaturidade do sistema digestivo do bebê, provocando contrações intestinais em vários sentidos, assim como também pela entrada de ar durante a sucção quando mama em mamadeira, e gera dores mais ou menos intensas. Geralmente, os pequenos têm cólicas entre o final da tarde e a noite.

O leite materno (natural) é o melhor alimento para seu filho, sempre! Ele possui lactobacillus bifidus que impedem o crescimento bacteriano no organismo da criança, evitam cólicas e estimulam o funcionamento do intestino.

Por outro lado, o leite artificial, assim como alguns outros alimentos, pode provocar cólicas nos bebês. Há indícios ainda de que os alimentos ingeridos pela mãe provoquem cólicas na criança – dependendo do tipo de alimento, ainda que metabolizados.

Fatores emocionais também podem levar às suspeitas de crises de cólicas. Se você, mãe, apresentar-se diante do seu pequeno com insegurança, ansiedade ou medo, ele vai absorver essa informação e apresentar em seguida os mesmos sentimentos, os quais ele expressa pelo choro. Certamente, você interpretará como cólica. Por esse motivo, é muito importante manter-se sempre tranquila, conhecendo o que é normal e o que não é. A cólica não é uma doença, mas pode preceder problemas de intestino mais graves. Consulte sempre um pediatra, profissional melhor qualificado para averiguar se os sintomas são naturais ou se há a necessidade de uma análise mais detalhada, dependendo do caso.

Por último, é importantíssimo relembrar que a cólica não é a única causa de choro do nenê. Ele pode chorar também de fome, frio, calor, medo, ansiedade, por incomodo provocado por roupa e insegurança, entre outras causas. Os pais devem se lembrar disso e procurar, com calma e sem transferir sua insegurança para a criança, determinar a causa do incômodo de seu bebê. Afinal, nem todo choro é sinal de cólica!

¹ University of Texas Health Science Center at Houston (UTHealth)

Por Dr. Sylvio Renan às 11h33

09/09/2011

Vacinação continua sendo a melhor arma contra a Poliomielite

 

Graças à vacinação em massa, realizada no Brasil e em muitos outros países, a poliomielite, conhecida popularmente como paralisia infantil, está praticamente erradicada no mundo. Porém, alguns focos permanecem no sudoeste asiático e na África.


A doença é provocada por um enterovirus da família Picornaviridae (que significa vírus de RNA pequeno), e provoca sintomas de febre e diarréia. Quando atinge o sistema nervoso, leva a uma paralisia assimétrica, geralmente dos membros inferiores, provocando a diminuição ou perda da função da marcha. Algumas vezes, acomete nervos de membros superiores ou do tórax, levando a impossibilidade da respiração e podendo evoluir para a morte.


Nos últimos anos surgiram casos de poliomielite nos Estados Unidos, todos provenientes do vírus atenuado da vacina Sabin. Os acometidos eram crianças imunodeprimidas por doenças como o câncer, AIDS, leucemias, ou vítimas de outras doenças – e também crianças medicadas com imunossupressores (principalmente os transplantados), e que tiveram contato com crianças saudáveis, recém-vacinadas, adquirindo assim a doença.


Por este motivo, decidiu-se pela substituição da vacina Sabin, que é preparada com vírus da poliomielite atenuado em laboratório, pela vacina Salk, constituída de partículas virais que, por não conter o vírus vivo, não predispõe a tal contaminação.


No Brasil, tal substituição ainda não foi efetuada, permanecendo no calendário oficial de imunizações do Ministério da Saúde a vacina Sabin. A Sociedade Brasileira de Pediatria, porém, recomenda em seu calendário de imunizações a vacina Salk, que é a mesma recomendação da Academia Americana de Pediatria.


Causou-me surpresa, no entanto, notícia recente publicada no Jornal O Estado de S. Paulo sobre uma criança de Minas Gerais, de um ano e quatro meses, que teria apresentado sinais da doença em consequência da vacina Sabin aplicada alguns dias antes.


Não há informação de doença prévia desta criança e em caso de confirmação de ela ter sido contaminada pelo vírus atenuado da poliomielite da vacina Sabin, há que se repensar todo o processo de vacinação oficial no Brasil. Deve-se assim mudar rapidamente da vacina Sabin para a Salk, no sentido de não termos outras crianças acometidas pelo mal.


Um dado importante a ser citado é que atualmente as clínicas particulares, em sua grande maioria, não utilizam mais a vacina Sabin, e sim a Salk, na vacinação de rotina de seus pacientes.


Resta-nos aguardar os resultados finais das pesquisas que estão sendo levadas a cabo com o intuito de se estabelecer se esta hipótese é real.


Enquanto isso, papais, a vacina ainda é a melhor arma para erradicar e proteger nossos pequenos contra a paralisia infantil, lembrando que as crianças imuno-deprimidas não recebem a vacina Sabin, e há orientação oficial para que seus pais evitem contato com crianças recém-vacinadas com esta vacina.

Por Dr. Sylvio Renan às 11h53

08/08/2011

A importância do lanche escolar na formação de hábitos alimentares saudáveis na infância

Prevenir o desenvolvimento da obesidade e de doenças relacionadas em crianças é tema atual e importantíssimo, já que essas doenças têm um impacto negativo na saúde, não apenas durante a infância, mas também ao longo da vida adulta.

 

A época mais eficaz para a prevenção de tais doenças é a idade escolar e pré-escolar, onde há introdução de alimentos novos e a formação de hábitos alimentares. Por ter um papel importante na alimentação infantil e na formação de hábitos saudáveis, a preparação da lancheira escolar merece cuidados. 

 

Uma lancheira ideal seria composta por uma porção de carboidratos, uma de proteínas e uma de frutas ou vegetais. Pode ser incluída uma opção de bebida de perfil nutricional adequado, como é o caso de sucos de frutas naturais e bebidas à base de soja. Desta forma, estes alimentos podem auxiliar na oferta de nutrientes essenciais para o crescimento e desenvolvimento saudável das crianças. Veja, a seguir, alguns exemplos de combinações de alimentos para lancheiras saudáveis:

 

- Iogurte sabor morango + potinho de cereal matinal de milho + banana


- Água de coco + biscoitos integrais + um pequeno pedaço de queijo minas + mexerica


- Bebida de soja sabor banana + bolo simples de abacaxi + morangos


- Suco de laranja natural + pão integral com peito de peru e maionese + uvas


- Suco de uva com soja + bisnaguinha integral com pasta de ricota e cenoura

Por Dr. Sylvio Renan às 10h24

01/08/2011

Dia mundial da amamentação

 

Hoje, dia 01/08, é o dia mundial da amamentação, data criada para reforçar a importância do leite materno para a saúde de nossas crianças.


Por mais que tenha evoluído, a tecnologia utilizada pelo homem no que concerne à nutrição, seja na preparação ou na adequação dos alimentos, ainda não conseguiu criar um leite para a nutrição do lactente que ao menos se aproxime do leite materno. Isso porque o leite materno começa a ser preparado no corpo da mãe já no início da gestação e vem progressivamente se adaptando para ser o alimento ideal daquele bebê que está em formação, não necessitando de nenhuma tentativa de adequação artificial.


Várias são as razões para se insistir na oferta do leite materno ao seu bebê. Saiba quais são elas:


- Alimento nutritivo: apresenta a concentração ideal de proteínas, e de fácil digestão. O açúcar do leite materno é a lactose (e não a sacarose), o que evita maior fermentação e a formação de gases, que é potencial causador das cólicas do recém-nascido. As gorduras do leite materno também são as ideais para o crescimento saudável do bebê e, principalmente, na formação do tecido nervoso, levando a um desenvolvimento neurológico perfeito;


- Alimento imunológico: durante toda a lactação, especialmente nos primeiros dez dias de vida do bebê – através da congestão do colostro, o leite materno tem alta concentração de anticorpos, agentes que inibem o desenvolvimento de vírus e bactérias, combatendo praticamente todos os germes com que a mãe já tenha tido contato e protegendo o bebê de muitas das moléstias infecciosas que possam agredi-lo nesse difícil início de vida;


- Alimento psicológico: reconhece-se cada vez mais a importância do contato físico mãe-bebê, sobretudo nos primeiros meses de vida, na formação de um bebê psicologicamente saudável e satisfeito nas suas necessidades psicológicas básicas. Isso pode ser conseguido apenas com essa relação de afeto, por meio do contato físico e da sucção do seio materno;


-Alimento antialérgico: estudos recentes demonstram que a maior causa das alergias dos lactentes é o leite de vaca, principalmente se for oferecido nos primeiros 6 meses de vida. Entre as inúmeras doenças alérgicas provocadas pelo leite de vaca estão a asma brônquica, a doença do bebê chiador, as rinites, as diarréias alérgicas e as dermatites (de fraldas ou outras dermatites atópicas) – em especial quando o bebê apresenta antecedentes familiares de alergias.


Desse modo, conclui-se que o leite materno é o ideal para o bebê no início de sua vida, sendo na realidade insubstituível. Deve-se evitar qualquer outro tipo de leite, animal ou vegetal, que servirá apenas como substituto na impossibilidade de se dar o leite materno. Contudo, essa impossibilidade pode ser prevenida por meio de treinamento e orientação, para que a mãe compreenda as nuanças da amamentação.

Por Dr. Sylvio Renan às 16h42

13/07/2011

O essencial é invisível aos olhos

 

A humanidade já viveu o império da força - onde os fortes comandavam, ‘evoluiu’ para o império da riqueza - onde os ricos mandam e, atualmente, percebemos uma notável mudança para uma nova e preocupante ditadura: a da beleza.


Diariamente somos bombardeados com discursos onde se estabelece uma estreita relação entre o que é bonito com o certo, e o que é feiura (ou falta de beleza) com o errado. Isto me leva a uma grande preocupação, principalmente quando estes conceitos se aproximam daqueles que cuido e defendo - as crianças.


As queixas maternas, antes mais restritas à falta de apetite e às viroses frequentes, hoje tendem a se direcionar para “ele não está muito gordo, doutor?”, “sua orelhinha é muito aberta, será que precisa operar?”.


Todos os pais sonham em ter filhos altos, fortes, bonitos e inteligentes, mas será este o caminho da felicidade? Claro que não.


Nelson Rodrigues já dizia que o problema do mundo é que “para cada gênio que nasce, nasce um milhão de imbecis”. Parafraseando-o, eu diria que “para cada lindo nasce, um milhão de feios”. Quando digo feio, digo na conotação atual de beleza, onde se valoriza apenas a forma, sem nenhuma preocupação com o conteúdo.


Cirurgiões plásticos são cada vez mais procurados por pais com a intenção de “corrigir” algo em seus filhos que consideram “feio”.  Isso nos leva ao caso que chocou os EUA e o mundo, de uma menina californiana de oito anos que recebe injeções de botox aplicadas por sua mãe (uma esteticista) que não quer que a garotinha tenha rugas. Ela justificou o fato alegando querer que sua filha vença concursos de beleza infantis, comuns naquele país.


Pequenos hemangiomas, verrugas vulgares, orelhas de abano e mamas avolumadas são algumas das queixas comuns feitas pelos pais nos consultórios pediátricos. Essas reclamações não estão relacionadas com a preocupação, com a evolução ou com as complicações que isto poderia trazer, mas apenas com o fator estético. Mães solicitando prescrição de medicamentos de controle de apetite para pré-adolescentes, pré-adolescentes estes sob uma dieta totalmente desbalanceada, ensinada por sua própria mãe. Quando orientamos para uma reeducação alimentar, elas saem frustradas, muitas vezes à procura de outro pediatra que lhe forneça a “mágica” medicação.


A pediatria precisa urgentemente criar normas e orientações para pediatras e o público em geral, antes que comecemos a ter em nossos consultórios novas patologias físicas, como complicações pós-operatórias de cirurgias desnecessárias, bem como as psicológicas, de crianças frustradas por passarem a ser o que elas não queriam ou com a decepção de uma “correção” indesejada e aquém de seus anseios.


Além disso, temos que ensinar aos nossos pequenos que a beleza não está relacionada com um rosto igual ao de um galã de cinema ou um corpinho como o de uma modelo famosa.


Devemos repassar às nossas crianças que a verdadeira beleza vem de dentro. Carinho, respeito, educação, sinceridade, gentileza e empatia que fazem uma pessoa ser bonita e se destacar das demais.


“Eis o meu segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. Os homens esqueceram essa verdade, mas tu não a deves esquecer”, como ensinou Antoine de Saint-Exupéry em seu livro “O Pequeno Príncipe”.

Por Dr. Sylvio Renan às 19h09

30/06/2011

Obesidade Infantil: o que está acontecendo?

A obesidade é uma doença que figura como um dos maiores, e ainda crescentes, problemas de saúde pública no mundo. Dados recentes apontam que uma em cada três crianças de 5 a 9 anos apresenta excesso de peso, sendo que 16,6% do total de meninos e 11,8% das meninas são obesos. As principais causas relacionadas ao aumento da obesidade em crianças parecem estar relacionadas às mudanças no estilo de vida e aos hábitos alimentares infantis.


Crianças em idade pré-escolar e escolar estão passando pela formação do hábito alimentar e são vulneráveis às condições do ambiente que as cercam. Portanto, os hábitos alimentares da família são importantes exemplos para a criança e influenciam muito no tipo de alimento que ela consome. Ou seja, não adianta nada insistir para seu filho comer fruta se você não come. Dê o exemplo no dia-a-dia e veja a diferença.


Além disso, ainda há a influência externa, que bombardeia as crianças com grande oferta de alimentos contendo uma gama de gorduras saturadas, trans, alimentos fritos, doces refinados e muitas outras fontes de energia e gorduras que os pequenos adoram. Não é preciso proibir estes tipos de alimentos, mas mostrar para as crianças que eles devem ser consumidos esporadicamente.


A elaboração da lancheira escolar também merece grande atenção, tendo papel crucial na alimentação infantil e no desenvolvimento de hábitos saudáveis. A inclusão de produtos nutricionalmente adequados, como frutas, pães e biscoitos integrais com queijos frescos, sucos naturais e bebidas à base de soja facilita a composição de um lanche equilibrado e auxilia para a boa nutrição da criança.


É importante ressaltar que o estilo de vida contemporâneo faz com que as crianças permaneçam mais tempo em casa e com atividades cada vez mais sedentárias. Encorajar as crianças a se exercitarem, praticarem esportes, dança e brincadeiras lúdicas auxiliam na prevenção e controle da obesidade infantil.

Por Dr. Sylvio Renan às 14h33

17/06/2011

Todos juntos contra a Paralisia Infantil

 

Neste sábado (18/06), acontece a primeira etapa de vacinação contra a paralisia infantil, nos postos de saúde de todo o País, que funcionarão durante o Dia D de mobilização da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite. Todas as crianças de zero a menores de 5 anos (4 anos, 11 meses e 29 dias) devem tomar as duas gotinhas contra a paralisia infantil.

A meta do Ministério da Saúde é vacinar pelo menos 95% das 14.148.182 crianças nessa faixa etária, em todo o Brasil. Os postos de todo o País receberam 21.665.465 doses, ao todo, do ministério.

Em seguida, na segunda fase da campanha, prevista para ocorrer no dia 13 de agosto, todas as crianças dessa idade devem tomar novamente as duas doses gotinhas.

A pólio é uma doença infectocontagiosa grave. Na maioria das vezes, a criança não morre quando é infectada, mas adquire sérias lesões que afetam o sistema nervoso, provocando paralisia, principalmente nos membros inferiores. A doença é causada e transmitida por um vírus (o poliovírus) e a infecção se dá principalmente por via oral. O Brasil está livre da poliomielite há mais de 20 anos.

Além das famosas gotinhas para a imunização da Poliomielite, também serão vacinadas crianças na faixa etária de 1 ano a menores de 7 anos contra o Sarampo.

Não esqueça: leve seu filho para ser vacinado!

Para mais informações, acesse o site do Ministério da Saúde:
http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&id_area=124&CO_NOTICIA=12784

Por Dr. Sylvio Renan às 17h17

Sobre o autor

Sylvio Renan de Barros

é médico, tendo
iniciado o curso

na Faculdade de Medicina de Botucatu e se formado em 1974 pela Faculdade de Medicina do ABC. Especializou-se em pediatria na Unifesp/EPM, obtendo em seguida o título pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Fez especialização prática pela General Pediatric Service da University of California - Los Angeles (Ucla) e participa de diversos simpósios do setor. Atuou por quase 30 anos em Pronto Socorro Infantil. Atualmente se dedica a seu consultório e à literatura médica para leigos. Seu primeiro livro lançado chama-se "Seu bebê em perguntas e respostas - Do nascimento aos 12 meses".

Sobre o blog

O objetivo deste blog é fornecer informações básicas relacionadas à área da pediatria. São abordados, de forma didática, temas que permeiam o universo da saúde da criança, como primeiros cuidados, doenças mais comuns, vacinação e alimentação.

Livros indicados

"Seu Bebê - Em perguntas e respostas"
Obra que reúne informações imprescindíveis para mães e pais de primeira viagem. Mas não se trata de um compêndio técnico sobre o "bebê-padrão", e sim de um livro que aborda casos específicos atendidos pelo autor ao longo de três décadas de pediatria.


"Nefrologia para Pediatras"
Livro que tem suas origens no Setor de Nefrologia Pediátrica do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP, que se ampliou com a subseqüente formação de equipe de colaboradores nacionais, procedentes dos mais expressivos serviços de Pediatria do país, de notória e relevante contribuição para a Nefrologia Pediátrica.