Blog do Pediatra

12/06/2012

Quanto meu filho vai crescer?

 

Uma das principais preocupações que afligem os pais e também os adolescentes que atendo em meu consultório está relacionada à altura. Esta apreensão é normal, principalmente entre os meninos que propagam a imagem de que homem tem que ter músculos, ser alto e atleta.

Recentemente recebi uma dúvida de um garoto de 14 anos a respeito de até que altura ele iria crescer. Uma pergunta que me fez pensar sobre o assunto, muitas vezes questionado em consultas e conversas informais, e que me levou a escrever este post para o Blog.

Entre as dúvidas está a relação da taxa de crescimento com a puberdade, um período da adolescência com duração de dois a quatro anos, caracterizado por transformações biológicas, físicas e psíquicas. É nesta fase que acontece o crescimento esquelético linear, a alteração da forma e composição corporal, o desenvolvimento de órgãos, e mudanças no sistema reprodutivo sexual.

Vou tomar como exemplo o questionamento do jovem, como citei. Ele tem 14 anos e apresenta uma altura de 1,84 metro. Neste caso, projeta, através do gráfico de crescimento da NCHS, dos Estados Unidos (sigla em inglês para National Center for Health Statistics), uma altura final de cerca de 1,92 metro.

No entanto, temos que considerar quando foi o início de sua puberdade deste jovem. Quanto mais precoce seu início, menor será sua estatura final. Inversamente, quanto mais tardia, maior será seu crescimento.

Claro que outros fatores estão envolvidos, como a genética de cada um. Dificilmente uma criança de pais e avós com estaturas pequenas, terá uma altura muito superior que a de seus descendentes.

E como descobrir se há um déficit no crescimento do seu filho? Para fazer esta avaliação é necessário saber, antes de tudo e com precisão a altura, o peso e a maturação sexual. Este processo será mais bem alinhado com o acompanhamento do pediatra da criança, que poderá avaliar se há ou não deficiência na curva de crescimento.

Por fim, quero frisar que não há motivos para pânico e alarde se o seu filho é baixinho. O processo de crescimento é relativo de criança para criança, e envolve estudo particular de caso a caso. Lembre-se, qualquer dúvida ou alerta de que algo está errado, converse abertamente com o médico pediatra.

Por Dr. Sylvio Renan às 15h35

Sobre o autor

Sylvio Renan de Barros

é médico, tendo
iniciado o curso

na Faculdade de Medicina de Botucatu e se formado em 1974 pela Faculdade de Medicina do ABC. Especializou-se em pediatria na Unifesp/EPM, obtendo em seguida o título pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Fez especialização prática pela General Pediatric Service da University of California - Los Angeles (Ucla) e participa de diversos simpósios do setor. Atuou por quase 30 anos em Pronto Socorro Infantil. Atualmente se dedica a seu consultório e à literatura médica para leigos. Seu primeiro livro lançado chama-se "Seu bebê em perguntas e respostas - Do nascimento aos 12 meses".

Sobre o blog

O objetivo deste blog é fornecer informações básicas relacionadas à área da pediatria. São abordados, de forma didática, temas que permeiam o universo da saúde da criança, como primeiros cuidados, doenças mais comuns, vacinação e alimentação.

Livros indicados

"Seu Bebê - Em perguntas e respostas"
Obra que reúne informações imprescindíveis para mães e pais de primeira viagem. Mas não se trata de um compêndio técnico sobre o "bebê-padrão", e sim de um livro que aborda casos específicos atendidos pelo autor ao longo de três décadas de pediatria.


"Nefrologia para Pediatras"
Livro que tem suas origens no Setor de Nefrologia Pediátrica do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP, que se ampliou com a subseqüente formação de equipe de colaboradores nacionais, procedentes dos mais expressivos serviços de Pediatria do país, de notória e relevante contribuição para a Nefrologia Pediátrica.