Blog do Pediatra

22/08/2012

Icterícia: o que é este amarelão?

 

Neste post, vou discorrer sobre um assunto pouco conhecido na população leiga, mas que preocupa pais e mães, sobretudo os de primeira viagem: a icterícia.

Popularmente conhecida como amarelão, a icterícia acomete recém-nascidos, sendo mais frequente nos bebês prematuros. Para compreender o desenvolvimento da doença é preciso ter conhecimento de que na metabolização da hemoglobina (proteína presente nos glóbulos vermelhos que transporta o oxigênio do pulmão para os tecidos), sua molécula é quebrada, formando a bilirrubina. Esta, ao passar pelo fígado, sofre uma conjugação com outras moléculas, o que lhe permite ser excretada do organismo através das fezes e urina. Se a produção de hemoglobina é muito alta, ou se o fígado apresenta problemas que o impeçam de conjugar a molécula, a bilirrubina se deposita nos tecidos, sendo que sua cor esverdeada permite que seja vista através da pele.
 
A icterícia acomete mais o recém-nascido porque, durante sua formação, no estágio intrauterino, existe uma hemoglobina especial, conhecida como hemoglobina fetal. Após o nascimento, com o início da respiração por via pulmonar, tais hemácias são destruídas em grande velocidade, iniciando-se a produção de hemoglobina adulta. A grande quantidade de hemoglobina fetal se transforma rapidamente em bilirrubina. Se seu fígado não estiver ainda em sua maturidade total, ele não consegue processar toda a quantidade que lhe chega, sendo ela então depositada nos tecidos. Quanto mais prematuro for o parto, assim como tanto menor for o tamanho do recém-nascido, maior será a probabilidade de ele vir a apresentar icterícia. É também mais alta sua incidência em partos cesáreos.

O tratamento da icterícia neonatal fisiológica - imaturidade do fígado - é feito com base nos resultados da dosagem das bilirrubinas. Em níveis mais baixos, submete-se a criança a uma fototerapia, na qual a criança é banhada por períodos longos com luz fluorescente do espectro azul, que tem capacidade de conjugar a bilirrubina, facilitando sua excreção.

Se os níveis de bilirrubina, entretanto, estiverem acima dos parâmetros aceitáveis, ou com uma velocidade alta de crescimento, há necessidade de se realizar uma transfusão sanguínea denominada exsanguineotransfusão, em que se troca todo o sangue com altos teores de bilirrubina, por sangues de doadores, com a finalidade de se evitar a impregnação da bilirrubina no tecido nervoso cerebral – clinicamente conhecido como kernikterus -, o que pode levar a graves consequências caso este processo seja desencadeado.

A icterícia neonatal pode ser prevenida com um acompanhamento obstétrico mais de perto, com a chegada do final da gestação, no sentido de se conseguir que o parto seja o mais próximo possível das 40 semanas, quando o feto já tem uma boa maturidade. Deve-se também evitar os partos cesáreos, cuja opção deve ser somente em casos de risco materno-infantil.
Não podemos esquecer, porém, que existem outras causas de icterícia nos bebês, entre elas a incompatibilidade sanguínea, em que o sangue do bebê, sendo incompatível com o da mãe, faz com que a mãe desenvolva anticorpos contra ele, gerando uma icterícia patológica. Outra causa é a obstrução dos canais de drenagem da bile, do fígado para o intestino, sendo esta icterícia provocada por bilirrubina conjugada, que não consegue ser eliminada, devido ao quadro obstrutivo, causando o amarelão. Neste caso, o tratamento é cirúrgico, visando à desobstrução do canal.

Há ainda uma série de quadros infecciosos, principalmente virais, que, acometendo a mãe durante o período gestacional pode levar a icterícia em recém-nascidos.

É de extrema importância frisar e alertar aos pais que uma criança já grandinha pode também desenvolver icterícia, indicando um sinal de que esteja com alguma doença do fígado, ou do sangue, sendo importante o acompanhamento do médico pediatra.

Por Dr. Sylvio Renan às 15h54

08/08/2012

O mundo fantástico da leitura: como incentivar a criançada?

 

Que uma criança tem uma imaginação que impressiona todo adulto sabe. São incríveis as coisas que saem da cabeça dos nossos pequenos, como, por exemplo, perguntas que nos pegam de surpresa e indagações mágicas sobre o nosso mundo real.

Porém, apesar da imaginação ser nata e própria da faixa etária, é dever de todo pai, mãe, avós e adultos que estejam por perto estimular o mundo imaginativo, da fantasia e, claro, que proporcionam descobertas e conhecimentos. E nada melhor que um bom livro para fazer este estímulo, não é mesmo?

Em contrapartida, o que era para ser uma coisa natural, acaba sendo uma peça difícil de encaixar no quebra-cabeça na vida de uma família, sobretudo a brasileira, já que muitas crianças, assim como os muitos adultos, infelizmente, ainda não têm o hábito da leitura.

Com toda a facilidade e agilidade de conseguir mil informações sobre um determinado assunto através das páginas da internet, a criançada acaba se esquecendo dos nossos velhos e importantes aliados: os livros.

Além deste motivo, videogames e a televisão disputam acirradamente a atenção da garotada e, muitas vezes, ganham deslealmente do livro. Então, como fazer que os baixinhos tomem gosto pela leitura?

Antes de tudo, repito uma frase clássica e verdadeira: "criança vê, criança faz". O exemplo deve vir de casa: se um adulto lê na frente da criança, involuntariamente, estará dando um bom exemplo: o de desenvolver-se intelectualmente.

Mas se seu filho for pequeno e ainda não souber ler, conte histórias infantis, bem ilustrativas, ou leia um livro para ele. Além de ser uma oportunidade de fortalecer os laços, vai instigá-lo ao mundo da leitura.

Os reflexos da leitura para a vida adulta são evidentes. Recentemente, um estudo identificou esta associação entre o hábito da leitura na infância e adolescência ao bom desempenho profissional na vida adulta.  Pesquisadores da Fundação Nacional de Leitura Infantil (National Children's Reading Foundation) concluíram que, além de estimular a criatividade e desenvolver a imaginação, ler diariamente faz com que as crianças aprendam com mais facilidade, pronunciem melhor as palavras e expressem suas ideias com mais clareza. 

Ajude seu baixinho a mergulhar no mundo mágico e fantástico que os livros podem oferecer. Pode ter certeza que ele terá histórias incríveis a conhecer e compartilhar.

* National Children's Reading Foundation (http://www.readingfoundation.org/reading_research.jsp

Por Dr. Sylvio Renan às 18h22

Sobre o autor

Sylvio Renan de Barros

é médico, tendo
iniciado o curso

na Faculdade de Medicina de Botucatu e se formado em 1974 pela Faculdade de Medicina do ABC. Especializou-se em pediatria na Unifesp/EPM, obtendo em seguida o título pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Fez especialização prática pela General Pediatric Service da University of California - Los Angeles (Ucla) e participa de diversos simpósios do setor. Atuou por quase 30 anos em Pronto Socorro Infantil. Atualmente se dedica a seu consultório e à literatura médica para leigos. Seu primeiro livro lançado chama-se "Seu bebê em perguntas e respostas - Do nascimento aos 12 meses".

Sobre o blog

O objetivo deste blog é fornecer informações básicas relacionadas à área da pediatria. São abordados, de forma didática, temas que permeiam o universo da saúde da criança, como primeiros cuidados, doenças mais comuns, vacinação e alimentação.

Livros indicados

"Seu Bebê - Em perguntas e respostas"
Obra que reúne informações imprescindíveis para mães e pais de primeira viagem. Mas não se trata de um compêndio técnico sobre o "bebê-padrão", e sim de um livro que aborda casos específicos atendidos pelo autor ao longo de três décadas de pediatria.


"Nefrologia para Pediatras"
Livro que tem suas origens no Setor de Nefrologia Pediátrica do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP, que se ampliou com a subseqüente formação de equipe de colaboradores nacionais, procedentes dos mais expressivos serviços de Pediatria do país, de notória e relevante contribuição para a Nefrologia Pediátrica.