Blog do Pediatra

18/11/2013

Coqueluche: recentes surtos da doença só comprovam a importância da vacinação

 

A coqueluche é uma doença infecciosa aguda, sendo transmitida pelas vias respiratórias e que compromete o aparelho respiratório (traqueia e brônquios). Seu contágio se dá pelo contato direto com a pessoa infectada ou por gotículas eliminadas pelo doente ao tossir, espirrar ou falar. A infecção pode ocorrer em qualquer época do ano e em qualquer fase da vida, mas acomete especialmente as crianças menores de dois anos.

Apesar de poder ser prevenida através da vacinação, no Brasil e no exterior os casos de coqueluche cresceram ultimamente. O Ministério da Saúde aponta um aumento progressivo do número de casos, ultrapassando o limite superior ao esperado. Um dos motivos para isso são as lacunas que se abriram nas campanhas para a imunização, sobretudo em adultos, faixa em que a doença costumar passar despercebida, curando-se sozinha, quando não revacinado recentemente. Vale ressaltar que a eficácia da vacina para coqueluche é em torno de 75 a 80%.

Por isso é importante reforçar a necessidade de vacinação no adulto como prevenção à criança, uma vez que o vírus incubado pode atingir os pequenos. As vacinas hoje disponibilizadas são acelulares (Vacina Tríplice Acelular) e não causam reações sérias, um dos motivos que afastou o público adulto das clínicas no passado.

Recentemente, tive dois casos de coqueluche em meu consultório que corroboram para a necessidade de vacinação em adultos, pensando na saúde das nossas crianças. Um deles, o próprio pai da criança, por não ter tomado a vacina contra a coqueluche, foi o transmissor do vírus.

Os sintomas mais comuns da doença são tosse contínua, por mais de três meses, que emite um som estranho de chiado no peito e costuma causar vômito, febre baixa, coriza, espirro, lacrimejamento, falta de apetite e mal-estar. Estes são muitas vezes confundidos como sinais de um simples resfriado ou uma gripe, dificultando o tratamento correto da coqueluche.

Atualize a carteirinha de vacinação do seu filho, mas não se esqueça da sua. A prevenção ainda é a melhor arma de combate a esta e demais doenças. Todo adulto deve procurar seu médico ou uma clínica de imunizações, visando proteger-se contra uma série de doenças, colaborando, assim, para a não proliferação delas para outras pessoas, sobretudo para as crianças.

Por Dr. Sylvio Renan às 14h16

Sobre o autor

Sylvio Renan de Barros

é médico, tendo
iniciado o curso

na Faculdade de Medicina de Botucatu e se formado em 1974 pela Faculdade de Medicina do ABC. Especializou-se em pediatria na Unifesp/EPM, obtendo em seguida o título pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Fez especialização prática pela General Pediatric Service da University of California - Los Angeles (Ucla) e participa de diversos simpósios do setor. Atuou por quase 30 anos em Pronto Socorro Infantil. Atualmente se dedica a seu consultório e à literatura médica para leigos. Seu primeiro livro lançado chama-se "Seu bebê em perguntas e respostas - Do nascimento aos 12 meses".

Sobre o blog

O objetivo deste blog é fornecer informações básicas relacionadas à área da pediatria. São abordados, de forma didática, temas que permeiam o universo da saúde da criança, como primeiros cuidados, doenças mais comuns, vacinação e alimentação.

Livros indicados

"Seu Bebê - Em perguntas e respostas"
Obra que reúne informações imprescindíveis para mães e pais de primeira viagem. Mas não se trata de um compêndio técnico sobre o "bebê-padrão", e sim de um livro que aborda casos específicos atendidos pelo autor ao longo de três décadas de pediatria.


"Nefrologia para Pediatras"
Livro que tem suas origens no Setor de Nefrologia Pediátrica do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP, que se ampliou com a subseqüente formação de equipe de colaboradores nacionais, procedentes dos mais expressivos serviços de Pediatria do país, de notória e relevante contribuição para a Nefrologia Pediátrica.